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Viagem no tempo...

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Por razões de saúde do meu pai, tive de passar o mês de janeiro de 2018 em Paris. Não era uma viagem que fazia parte dos meus planos, ainda menos no inverno desgostoso que aquela cidade tem. Mas, decidido "a fazer do limão, a limonada", aproveitei para fazer uma viagem no tempo, num sentido quase literal. Explicando... Minha família saiu de Bissau (Guiné-Bissau, pequena ex-colonia portuguesa da costa ocidental africana), onde nasci, em 1984, rumo a Paris. Para nós, isso era como ir morar para a Lua. Para entender um pouco da Guiné, convido, se tiverem tempo e curiosidade, a ler as 5 partes do texto "Por onde passou o ‘ Homem Novo’ forjado na Luta?! ", escrito pelo meu pai, no blog dele ( Tatitataia ). É, basicamente, a historia dos meus pais. Dito isso, em 1984, no dia 6 de junho, precisamente, meus irmãos, nossa avó (hoje faz 1 ano que ela morreu) e eu saímos de Bissau para passar férias em São Vicente, Cabo-Verde. Saímos de férias e nunca mais voltamos. ...

Num momento de descuido...

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Quinta-feira de noite. Uma vez não é costume, saí de casa e dirigi-me a pé á rua dos bares, aqui perto. É uma rua que, de quinta a sábado, está sempre muito animada. As minhas opções eram ficar em casa e trabalhar nas músicas, ver um filme, ou sair um pouco para espairecer. Podia ter ligado para alguns amigos e teria arranjado certamente alguma coisa interessante para fazer. Mas decidi sair da zona de conforto: nada seria mais desconfortável do que ir sentar sozinho num bar num dia de grande afluência. E lá fui. Sentei-me no primeiro que tinha um ar assim mais original. Nem me lembro do nome. A decoração era uma mistura de objetos saídos dos anos 70, com alguns itens mais geeks pelo meio. Era ali mesmo. Não havia mesa livre no lado de fora, só “dentro”. Coloco as aspas porque o “dentro” era meio fora também, já que o bar não tinha portas. Sentei-me á mesa que ficava mais perto do passeio, com intenção de observar melhor as pessoas que passavam. Pedi uma cerveja escura – impressiona...

Saudades...

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 Sempre vivi a mudança com algum orgulho. O fato de ter mudado 3 ou 4 vezes de país, de cultura, de língua, sempre foi motivo de orgulho quando não foi de alguma altivez em relação ao mundo e aos que nele vivem. Mas isso tem um preço. Um preço que talvez eu pague com o tempo, à medida que vou ficando mais velho. Sempre tentei (e tento) não me apegar ao passado, não deixar que ele me impeça de crescer. Mas sou humano. E com o tempo cada vez mais tenho a sensação de que o “melhor” da minha vida já passou. O melhor tanto no sentido do melhor que eu tenho a dar, como do melhor que eu tenho a receber. Como dizia Lou Reed “it’s all downhill after the first kiss...”. E aí vem a tristeza. Parece uma luta sem sentido entre dois sentimentos antagônicos, ou para viver ainda melhores momentos, ou para ficar quieto e re-viver na memória os bons momentos que já passaram. A segunda opção acontece mais vezes do que eu quero, e a primeira opção, não consigo aplicar, por parecer forçada. A melhor pa...

Partidas...chegadas...partidas...

Qual deveria vir primeiro? A partida ou a chegada? É preciso chegar para poder partir ou é preciso partir para poder chegar? O ovo ou a galinha? É vital saber isso? Não me parece. E daí... No entanto, parte das poucas certezas que tenho (e que me torna algo antisocial) é que não gosto de partidas, sejam elas de quem forem. Não. Espera. Correcção. Não gosto de partidas de pessoas de quem gosto. Daí ser importante saber que uma partida é precedida ou seguida de uma chegada. Ou seja nada é gratuito. Cada felicidade está intimamente ligada a uma infelicidade? Depois da tempestade vem a bonança (e inversamente?). A infelicidade da chegada de pessoas que são indiferentes está ligada à felicidade da partida das mesmas. Mas (e esta é a parte importante) então a felicidade da chegada de pessoas queridas está ligada à infelicidade da partida? O segredo (eureka) está em saber distilar!