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Meu pai morreu...

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Estou num avião, faltam 4 horas para chegar a Paris, onde ele morava. Encurtando a história, ele teve um AVC em no fim de 2017...ou 2018, que o deixou completamente incapaz. Depois do hospital dizer que não podia fazer mais nada por ele, ele foi colocado pelo governo francês num lar de idosos, com cuidados médicos 24h. E foi lá que, na noite de ontem, descansou. Uso esse "descansou" mais como um alívio para mim do que outra coisa. A verdade é que desde 2018 que eu me perguntava pelo menos uma vez por semana, se o meu pai ainda habitava aquele corpo que desfinhava. Quando pensava que sim, era só dor e desespero que me vinha. Eu me imaginava naquela situação, lúcido, mas preso num corpo que não me respondia mais, e sem capacidade de comunicar esse desespero e vontade de acabar com tudo para quem o rodeava. E sem capacidade de fazer a "máquina" parar de livre e espontânea vontade. Quando eu achava que ele "já não estava lá", a situação se tornava surreal. Por

Como perder um ou mais clientes...

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Vou contar está história aqui, depois de ter esgotado todas as outras opções de resolução, pelos canais oficiais da #TAP. É basicamente a história de como é fácil perder um cliente relativamente fiel. Em algum momento de 2019, comprei milhas da Livelo, que depois transferi para a TAP, para comprar passagens de Lisboa para São Vicente (Cabo Verde), em julho de 2020. Comprei a ida e volta de Brasília até Lisboa pela Azul e a parte de Lisboa para São Vicente com milhas da TAP. Eram passagens para 4 adultos, então gastei 400 mil milhas. Chega o mês de março de 2020 e uma pandemia atropela o mundo e os nossos planos de férias. Como a maioria das companhias aéreas, a Azul e a TAP aceitam mudar as datas das viagens, sem custos adicionais, e mudámos as nossas férias para julho de 2021. Quando chegamos mais perto da viagem, o mundo estava a tentar sair de uma segunda onda de Covid, bem mais violenta e virulenta que a primeira, e nós vimos obtidos a, desta vez, cancelar a nossa viagem. Com peque

Quando precisamos de apoio...

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Faz algum tempo que não venho aqui. E o último texto foi triste, como o momento que estávamos e ainda estamos atravessando, aqui. Da história da Geisa, a boa notícia que restou para os os sobrevivente é que o Vicente está vivo , forte e bem, com o pai, os irmãos e o resto da família e amig@s que, tenho certeza, lhe darão todo o amor que ele e qualquer ser humano merece. Continuo na torcida por eles tdo@s. Depois de meses mais sombrios, a vacina está, finalmente trazendo esperança tão ansiada, por todos nós. Tomara que assim continue. Tomei, na sexta passada, a segunda dose da AstraZeneca, maior parte da família próxima e amig@s já tomou pelo menos uma dose de alguma vacina. Melhores dias virão, com certeza. Parei a terapia. Ou pausei, pelo menos. Aquele desconforto de estar a ir por obrigação voltou a aparecer, então suspendi. Tenho de perguntar ao meu redor se está tudo igual ou sé melhor eu voltar logo para as sessões! :D Longe de dizer que resolvi todos os traumas, mas a sensação é

Ela tinha 35 anos...

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Estava grávida do seu terceiro filho. Ela já tinha um casalzinho – gêmeos – espetaculares. Eu acompanhava distraidamente a vida da família dela, como fazemos agora, pelo feed do Instagram. No caso dela fazia ainda mais sentido porque ela era apaixonada por fotografia. Todos saudáveis, casamento aparentemente sólido e repleto de carinho e cumplicidade. Conheci o marido no dia do casamento deles, ao qual eu fui convidado, junto com um grupo de colegas de trabalho, há dez anos atrás. Ela era divertidíssima, cheia de ironia, vibrante. Eu lembro-me dela com muita vida, “irrequieta”, como uma criança traquina, mas sem maldade nenhuma. Sempre disposta a ajudar, mesmo quando não podia ou dominava o assunto. Vislumbro ela como alguém que se desdobrava para os amigos, os amores, a família etc. E o que eu vislumbro não pode estar muito longe da realidade, dada a forma como amig@s e conhecido@s em comum falam dela. Eu compartilhei uma sala com ela e mais pessoas, durante uns 2 anos, por volta de

Temos chorado demais...

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Essa frase tem dançado na minha cabeça há umas semanas. Eu sei que a frase correta do Belchior é "Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro", mas a que tem ocupado fantasmagoricamente a minha mente é essa. Temos. Coletivamente. A humanidade inteira me parece ter chorado demais, ultimamente. E aí fica a dúvida entre duas leituras possíveis: se é "demais" no sentido "exageradamente, sem razão para tanto, mais do que seria justo" ou se é "demais" como em "as coisas estão demasiado pesadas o tempo todo, ao ponto de ultrapassar quase sempre o limite das nossas forças, da nossa resistência, da nossa resiliência". Confesso que não sei. Nem sei se é meu papel saber ou se tenho a capacidade de saber. Sei que eu tenho chorado demais - para mim, o demais será no sentido de "muito mais que eu gostaria, ultrapassando o choro libertador, tornando-se enjoativo". Sei que tenho visto muita gente chorar também, não sei se de barriga che

Música, letra, versões e traduções...

Um dos grandes inconvenientes de ser músico no sentido abrangente da palavra - não reduzindo aos que vivem da arte, mas incluindo quem toca um instrumento, quem compõe etc - é nunca mais ser capaz de ouvir uma música de forma, digamos, inocente. Deduzo que é o mesmo problema para quem sabe de cinema tecnicamente e vai ver um filme, para quem escreve e lê um livro... Temos um olhar que é um misto de isenção e avaliação técnica da coisa. Pelo menos para mim é assim. Há muito que deixei de conseguir ouvir uma música sem minimamente prestar atenção aos instrumentos, aos arranjos, às melodias e harmonias, a como o compositor "resolveu" uma sequencia de acordes, etc. Nesse sentido, gostaria de poder voltar a tempos mais simples. Mas divaguei... Ao mesmo tempo que não consigo simplificar a minha avaliação de uma canção, raramente separo a letra da música. Se gosto, é porque o conjunto me agradou. A obra é o conjunto, é difícil separar. E nesse contexto, é raríssimo eu gosta

Coisas que preciso mudar...

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Estava em São Paulo a trabalho e decidi ir caminhar de noite. Era tarde quando saí do hotel, umas 21h30, por aí. Caminhei pela Berrini, uma volta no Parque do Povo e de volta para o hotel. No caminho, encontrei poucas pessoas, devido ao horário. Mas todas as meninas ou mulheres com quem me cruzei, pensei: "que perigo, ela estar na rua a esta hora!". Pensei isso das altas, das baixas, das magras, gordas, brancas, pretas. Pensei isso das que aparentavam vir de meios humildes, como das que mostravam ser classe média/alta. Pensei isso um pouco mais enfaticamente das que iam sozinhas, mas também pensei das que iam em grupos de duas ou três. Pensei isso até do único homem que aparentava, pelo trejeito, adereços e postura, ser homossexual. Pensei "que bonito que ele é! Não deveria estar sozinho aqui". E senti o olhar desconfiado dele sobre mim, ao me aproximar, assim como os passos que se aceleraram logo depois de nos cruzarmos. Também cruzei grupos de 2 ou 3 mulheres