Soube agora que você se foi. Finalmente. Digo finalmente, porque imagino que todo o processo até você conseguir ir deve ter sido um composto espesso de sofrimento, sufoco, dor... o que a gente imagina ser o inferno. A gente nem era os melhores dos amigos, mas por alguma razão você me procurou. Me tocou. Algumas vezes de forma cruel por me fazer sentir que basicamente só não terminava tudo porque tinha a sesnação que me devia alguma coisa. E não me devia nada. Te vendi um baixo para ver se isso te fazia voltar a tocar, compor, criar... n vezes você tentou me vender o baixo de novo...e vendeu, só para eu insistir que você ficasse com ele, porque eu não tinha uso para ele. E umas vezes, você disse que estava agoniado com a ideia de morrer e o baixo ficar com você. E também lembro das letras que voc~e escrevia, para tentar fazer músicas. E você dizia que não conseguia fazer nada com elas, "porque estavam muito deprê". Estavam. Sensação de que podiam ser apenas sintomas de um esta...
A Salceda - Santiago de Compostela: 29,5 km Este vai ser o último texto desta série. Daqui para casa, vai ser algo só meu, pode ser? Mas antes de descrever a última etapa, muito, muito, muito obrigado a cada par de olhos que acompanhou a jornada aqui. Fiquei surpreso destes relatos chegarem a pessoas que eu não imaginava e, melhor ainda, saber que essas pessoas estavam torcendo por mim, por seja lá o que for que eu procurei no Caminho. Sei que nem todos se manifestaram, mas saibam que também têm a minha torcida. De verdade. Gosto muito daquela frase "fácil" que diz "feliz primeiro dia do resto da sua vida!". Então que seja um feliz primeiro dia do resto das nossas vidas! Achou isso lamecha? Então pare aqui, porque vai piorar e muito! 😀 Assim começou o dia: chuva. E assim correu o dia, durante várias horas. Umas 5, para ser exato. Isso comprometeu muito as fotos, mas aqui estão umas poucas. Tudo encharcado, o tempo inteiro. E a capa de chuva, embora proteja da chuva...
Como navegamos uma montanha russa de sentimentos, no decorrer de minutos... Eu voltava de um belissimo ensaio, eram umas 23h. No rádio do carro, uma locutora estava educadamente indignada com as notícias que tramitia. Ouvi estas duas, antes dela mudar de assunto. Era algo como: 4 homens foram, agora não sei se acusados, presos ou indiciados por terem espancado até à morte, um homem ou jovem que tinha roubado um chocolate numa loja, mercearia ou mercado. Espancado até à morte. Por um chocolate. E deixaram o corpo inerte desse pobre coitado, e simplesmente foram embora. Um policial foi, também agora não sei se acusado, suspenso da polícia, preso, etc, por ter morto um jovem com um tiro na cabeça. O jovem saia do trabalho e corria para pegar um ônibus. O tal policial o confundiu com um ladrão. E o matou com um tiro na cabeça. Ouvi isso, enquanto dirigia para casa. Senti falta de ar, senti as lágrimas me arrebatarem, como quando vi o corpo do meu pai, na funerária. Foram lágrimas idên...
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