Não me tinha dado conta que a última vez que escrevi aqui, foi quando meu pai faleceu. Ainda não passou, sensação de ainda não estar em paz com isso. É estranho. E agora vou escrever sobre uma loucura que começa hoje: vou fazer o Caminho de Santiago de Compostela a pé. Fim de abril encerrei um ciclo profissional de 17 anos e decidi aproveitar para realizar este desejo de muitas décadas. A nossa mente tem esse poder especial de concatenar dados e fazê-los ter sentido dentro de uma tese, não é? Então todos os "sinais" me disseram, durante as últimas semanas, que o momento era agora. E segui cegamente, quiçá irracionalmente, esse ímpeto. A minha Flor, que já fez esse périplo inteiro de bike, não quis tentar fazer a pé, que é a forma que eu sempre disse que queria fazer. Cada um no seu tempo. Talvez façamos juntos um dia, este ou outro "caminho". Juntos. Levo 9 kilos de "coisas". Por enquanto está tudo nesse saco de roupa suja azul. Estou no aerop...
Há alguns anos eu falo deste assunto com as pessoas mais próximas, da (minha) necessidade de exorcizar o medo, seja como for e seja ele qual for... O mundo que nos cerca é regido pelo medo nas suas formas mais sorrateiras. Infelizmente, isso começa muito cedo em nossas vidas, tão logo começamos a perceber o mundo que nos rodeia, assim que perdemos um pouco da nossa “virgindade". Quando criança, ainda inconscientes dos pseudo-perigos que nos rodeiam, o mundo tem definitivamente uma cor diferente. Pouco a pouco, à medida que o que eu associo com medo começa a se tornar parte da nossa vida, tudo muda. Tentei me lembrar da primeira vez que fui confrontado com o medo e é impressionante como isso aconteceu cedo. O medo dos nossos pais, a nossa salvação, as pessoas mais importantes em nossas vidas. Como é esse medo? É o medo de quebrar os brinquedos, de não comer tudo o que nos foi servido, de rasgar os livros, de destruir o aparelho de som do pai, de cometer erros, de sermos nós mesmos,...
Morei em França de 84 até 97, quando me mudei para Lisboa, desta vez, por opção. Lisboa é uma das “minhas cidades”. Explicarei mais para a frente. Até ir morar em Lisboa, Lisboa tinha sempre sido A cidade que eu queria morar. Não sei explicar bem a razão disso. Acho que é devido ao impacto que a cidade teve em mim, quando conheci pela primeira vez, algures no fim dos anos 70. Quando morávamos em Bissau, eu fui a Lisboa duas vezes com a minha mãe, para consultas e tratamentos médicos. E a cidade que eu conheci naquelas viagens era - para uma criança com uns 7 a 9 anos, não me recordo bem - uma das 7 maravilhas do mundo. Acho que a diferença de “conforto” entre Bissau e Lisboa era tão grande, que eu me senti quase que literalmente em outro planeta. Então fui para Lisboa em 1997. Julho ou agosto, se a memória não me falha. E fui por amor. A decisão “principal” foi me juntar à Nice, (na altura namorada, hoje ex, mãe do meu filho). Nós até tínhamos considerado a hipótese dela ir para P...
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