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Mostrando postagens com o rótulo emoções

Temos chorado demais...

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Essa frase tem dançado na minha cabeça há umas semanas. Eu sei que a frase correta do Belchior é "Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro", mas a que tem ocupado fantasmagoricamente a minha mente é essa. Temos. Coletivamente. A humanidade inteira me parece ter chorado demais, ultimamente. E aí fica a dúvida entre duas leituras possíveis: se é "demais" no sentido "exageradamente, sem razão para tanto, mais do que seria justo" ou se é "demais" como em "as coisas estão demasiado pesadas o tempo todo, ao ponto de ultrapassar quase sempre o limite das nossas forças, da nossa resistência, da nossa resiliência". Confesso que não sei. Nem sei se é meu papel saber ou se tenho a capacidade de saber. Sei que eu tenho chorado demais - para mim, o demais será no sentido de "muito mais que eu gostaria, ultrapassando o choro libertador, tornando-se enjoativo". Sei que tenho visto muita gente chorar também, não sei se de barriga che...

Comendo vento...

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Fui passear com o anão, num domingo de manhã. Andamos cerca de 20 minutos até chegar ao fim da "península" do Lago Norte, aqui em Brasília, na beira do lago. Estava Sol, mas mesmo assim não fazia muito calor, alguns rapazes tentavam aproveitar a brisa com os seus papagaios (pipas, vou ter que experimentar um dia...), muito agradável. E falamos um bom bocado. Tenho que fazer isso mais vezes, só ele e eu. Foi engraçado porque não parecia muito uma típica conversa pai/filho, mas mais um par de amigos trocando ideias. Entre outras filosofias (sim, sim, filosofias mesmo) uma ficou na minha cabeça. Estávamos sentados em baixo de uma árvore, a poucos centímetros da água. Esse canto de terra é mais ventoso do lago. E disse: Pai, eu adoro comer vento. E tu? Eu pensei alguns segundos e respondi: Sim! Sabes o quê? Eu também gosto muito! E ficamos os dois em pé uns minutos, de boca aberta, a comer todos os centímetros cúbicos de vento que pudemos. E depois fomos para casa almoçar......

Num momento de descuido...

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Quinta-feira de noite. Uma vez não é costume, saí de casa e dirigi-me a pé á rua dos bares, aqui perto. É uma rua que, de quinta a sábado, está sempre muito animada. As minhas opções eram ficar em casa e trabalhar nas músicas, ver um filme, ou sair um pouco para espairecer. Podia ter ligado para alguns amigos e teria arranjado certamente alguma coisa interessante para fazer. Mas decidi sair da zona de conforto: nada seria mais desconfortável do que ir sentar sozinho num bar num dia de grande afluência. E lá fui. Sentei-me no primeiro que tinha um ar assim mais original. Nem me lembro do nome. A decoração era uma mistura de objetos saídos dos anos 70, com alguns itens mais geeks pelo meio. Era ali mesmo. Não havia mesa livre no lado de fora, só “dentro”. Coloco as aspas porque o “dentro” era meio fora também, já que o bar não tinha portas. Sentei-me á mesa que ficava mais perto do passeio, com intenção de observar melhor as pessoas que passavam. Pedi uma cerveja escura – impressiona...

Apologize for the good things you've done...

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Uma vez eu vi um documentário sobre um das minhas bandas preferidas, Fishbone. O documentário tinha o mesmo nome que o que era na altura o último disco deles: "The Reality of my Surroundings" - en passant , é um disco absolutamente fabuloso, que aconselho a qualquer terráqueo com o orelhas limpas e abertas. Mas não é disso que se trata, aqui. No documentário, como dizia antes de ser interrompido por mim mesmo, os vários integrantes da banda são entrevistados. Uma das perguntas que lhe é feita é precisamente "what is the reality of your surroundings?". O baixista, John Norwood Fisher respondeu assim: The reality of my surroundings is that I always try to do right, but end up doing wrong. Oh lord have mercy! Essa frase sempre me fez pensar na nossa realidade, na minha condição humana em pelo menos tres graus: A minha capacidade em aceitar os erros dos outros e, mais importante ainda, os meu próprios erros. Um pouco mais profundo, em como aceitar que um...

Damaged people...

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Descobri que gosto de pessoas “machucadas”, com histórias complicadas, com rugas da vida, com pendências pessoais, com pesos na consciência consequência de decisões erradas. Pessoas que passaram por mortes ou sobreviveram a acidentes, catástrofes, dramas familiares, doenças. Pessoas com sinais de combate, com ferimentos de guerra... É uma tendência que fui identificando pouco a pouco. Não estou a falar daquelas pessoas que estão sempre mal, que têm sempre algo que não está bem, que se queixam continuamente de tudo e todos. Essas me são dificilmente suportáveis. Estou a falar daquelas que sobreviveram genuinamente a situações sensíveis, que ultrapassaram barreiras que se diziam intransponíveis. Essas pessoas não são tristes e taciturnas, não carregam o peso do mundo nas costas como um castigo supremo. A vida continuou e elas continuam com ela. Reparem que o peso ou o trauma não desaparece, apenas aprendem a lidar com a situação, a fazer do tal limão uma limonada. E normalmente tendem a ...

Já que falei de baixo...

I´m in love...

Anti-social...

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Já estou sem carro há algum tempo (outra vez). É para uma boa causa: conseguir pagar o aluguer de um apartamento. Pois é. Não dá para ter os dois. Mas não é disso que se trata aqui. Por causa dessa circunstância tenho de ir trabalhar de transportes públicos. O que para mim é até bom, na medida que a Asa Norte de Brasília não é assim tão mal servida. E dá par ir, de cabeça vazia, sem pensar em nada, sem comunicar com ninguém, como gosto de fazer. O pior para mim e o meu assumido lado anti-social, é quando me oferecem carona/boleia. Uma coisa é eu saber que vou fazer um trajeto com outra pessoa, eu preparo-me para esse momento, penso nas conversas que podemos ter, nas coisas que eu quero falar etc. Ou seja, estou predisposto para esse momento, esse confronto. Outra coisa totalmente diferente é ser apanhado de surpresa. Está tudo preparado para que eu consiga fazer o trajeto sozinho e de repente encontro alguém que me propõe a carona ou boleia. Aí a coisa estraga! Ainda tento recusa...

Death by nostalgia

Num post anterior eu falei como tenho dificuldade em lidar com saudosismos, não foi? Salvo erro até expliquei um pouco mais no post sobre a reformação dos The Police . Hoje me disseram que os Creedence Clearwater Revival iam dar um show em Brasília. Eu respondi quase que automaticamente em tom infelizmente seco:"os sobreviventes, queres dizer". E outro amigo está feliz porque vai ver o show do septuagenário e caquético Paul McCartney como ilusão de ver os Beatles. E os Queen querem continuar sem Freddie Mercury... ha! Encontrei as palavras exatas do Zappa: "It isn't necessary to imagine the world ending in fire or ice--there are two other possibilities: one is paperwork, and the other is nostalgia. When you compute the length of time between the event and the nostalgia or the event, the span seems to be about a year less in each cycle. Eventually within the next quarter of a century, the nostalgia cycles will be so close together that people will not be able to take ...

Coisas...

...com que eu não sei lidar arrogância sem "back-up" (Muhamad Ali, Frank Lloyd Wright, etc são exemplos de arrogância com "back-up"), família, frustração, mulheres com peitos bonitos, idiotice (não sei se fico irritado, se sinto pena...), pessoas mais convencidas que eu, criticas inúteis ou sem mais valia, perguntas retóricas (ex: atendo o telefone no escritório a pessoa que que ligou pergunta se eu já cheguei ao escritório), projectos eternamente por acabar (ou mesmo começar), a ausência do Tiago, Deus, meu filho quando me pergunta pelos avós maternos ou avô paterno, historias sem ponto final, vertigem, amor, eternidade, o tamanho e a variedade do/no mundo, racismo/ sexismo/ paternalismo/ capitalismo/ comunismo/ neoliberalismo e os demais ismos... ...que não gosto politica (não quer dizer que estou nem aí...), reviver o passado, sentir-me impotente, ler, falta de carácter (sobretudo quando é minha), salsa, peixe (salmão não é peixe!), doença, esforço, gordura (salm...

100 palavras

100 palavras para me lembrar quem sou, do que gosto, quem amo ou amei, de onde venho, onde gostaria de ir, como gostaria de estar. 100 palavras para me explicar o vazio, apaziguar o vento ou aproveitar o passeio. 100 palavras que podem suavizar a violência do desmantelar de quase tudo, atenuar o fedor do esquecimento e pintar o vácuo com cores as cores da luz. 100 palavras para renascer outra vez e sorrir com o olhar, apreciar a chuva e a memória de dias melhores que já começaram. Tipicamente eu. Com espaço para dizer tudo e ficar sem palavras... :-P

Memórias da chuva...(1)

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Desde que a memória me consegue levar, sempre adorei a chuva. Não existe cheiro mais apaziguador e inebriante que aquele que antecipa a chuva. Em todos os países por onde passei tenho uma lembrança boa associada à chuva. Em Bissau lembro-me do quanto antecipávamos a chuva. Nós crianças, adorávamos tomar banho de chuva. Era a melhor coisa do mundo. Os rapazes jogavam futebol no meio das ruas desertadas pelos carros, as meninas corriam embaixo das goteiras que deixavam cair enormes quantidades de água. Tanto que ás vezes doía. Lembro-me de uma vez que eu estava a voltar para casa de um futebol perto de casa, devia ter os meus 11 anos. Eram por volta das 4 da tarde e de repente ficou tudo escuro. Nunca tinha visto algo igual. Em casa estava só a minha avó e não havia eletricidade – fato normal em Bissau e muitos outros países africanos – e eu queria ir para rua tomar banho quando a chuva caísse. Era estranho porque o céu estava cinza escuro e não havia vento. Minha avó ficou com medo e nã...

Partidas...chegadas...partidas...

Qual deveria vir primeiro? A partida ou a chegada? É preciso chegar para poder partir ou é preciso partir para poder chegar? O ovo ou a galinha? É vital saber isso? Não me parece. E daí... No entanto, parte das poucas certezas que tenho (e que me torna algo antisocial) é que não gosto de partidas, sejam elas de quem forem. Não. Espera. Correcção. Não gosto de partidas de pessoas de quem gosto. Daí ser importante saber que uma partida é precedida ou seguida de uma chegada. Ou seja nada é gratuito. Cada felicidade está intimamente ligada a uma infelicidade? Depois da tempestade vem a bonança (e inversamente?). A infelicidade da chegada de pessoas que são indiferentes está ligada à felicidade da partida das mesmas. Mas (e esta é a parte importante) então a felicidade da chegada de pessoas queridas está ligada à infelicidade da partida? O segredo (eureka) está em saber distilar!

O medo

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Há alguns anos eu falo deste assunto com as pessoas mais próximas, da (minha) necessidade de exorcizar o medo, seja como for e seja ele qual for... O mundo que nos cerca é regido pelo medo nas suas formas mais sorrateiras. Infelizmente, isso começa muito cedo em nossas vidas, tão logo começamos a perceber o mundo que nos rodeia, assim que perdemos um pouco da nossa “virgindade". Quando criança, ainda inconscientes dos pseudo-perigos que nos rodeiam, o mundo tem definitivamente uma cor diferente. Pouco a pouco, à medida que o que eu associo com medo começa a se tornar parte da nossa vida, tudo muda. Tentei me lembrar da primeira vez que fui confrontado com o medo e é impressionante como isso aconteceu cedo. O medo dos nossos pais, a nossa salvação, as pessoas mais importantes em nossas vidas. Como é esse medo? É o medo de quebrar os brinquedos, de não comer tudo o que nos foi servido, de rasgar os livros, de destruir o aparelho de som do pai, de cometer erros, de sermos nós mesmos,...

Ciúmes...

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Não vou fazer a análise fisiológica ou psicológica do tema. Não é minha praia. Vou só dar o meu ponto de vista. Para isso serve o MEU Blog :). Ter ciúmes está ligado à insegurança de perder algo que nos é muito caro. Esse sentimento é aplicado a pessoas. Por isso ele me é tão estranho e difícil de entender. Percebo perfeitamente o mecanismo, a lógica que leva a pessoa a se sentir insegura, o instalar da dúvida, a falta de comunicação, o medo da perda, da solidão etc. O que não entendo é a sensação de perda, que quase sempre está ligada a uma noção de posse (reconhecida ou não). E aí meus amigos, a brincadeira acaba. Posse de outro homem ou mulher? Como assim? A escravatura voltou? Que eu saiba esse foi o único momento na historia em que a sociedade civil aceitou e reconheceu o direito de homens e mulheres serem donos de outros homens e mulheres, como quem é dono de um vaso ou um cão (ironicamente muito cães hoje são tratados com mais respeito do que os acima citados escravos (mas isso ...

2ª Copa do Mundo no Brasil!

Pois é! Ao voltar para casa hoje, deparei-me com aquele entusiasmo que encontrei em 2006 quando vim definitivamente para Brasília. Está TUDO vestido de verde e amarelo (até eu!), reina uma euforia, ninguém quer saber de trabalho (até eu!), coisa que em 2006 me tinha profundamente irritado. Está tudo fechado, antes do jogo começar estavam alguns engarrafamentos, mas nada que impedisse o bom humor geral contagiante. Infelizmente Portugal empatou a 0 contra (ou melhor, com) a Costa do Marfim, o que vai dificultar a qualificação, sobretudo porque o último jogo é contra o Brasil, precisamente. E para uma pessoa como eu que não entende porra nenhuma de futebol, é impressionate ver o nível critico dos fans em relação às seleções. O Brasil ganhou 2-1 contra a Coreia do Norte. E como em 2006 (e em 2002, e em 1998 etc) todos acham que a equipe é péssima. A paixão pelo futebol é enorme e às vezes (muitas) faz-nos perder o bom senso ;) Mas bom. É só um post meio melancólico. 4 anos. Passaram num i...

Sub|version: Apili (José Carlos Schwarz cover)

E voltei a isto. Desta vez a vítima é uma musica do José carlos Schwarz, para mim, o maior autor/compositor da Guiné-Bissau (o Zé Manel é outro que espero falar mais tarde). A música se chama Apili, data dos anos 70, logo após a independencia da Guiné, salvo erro. A letra traduzida seria algo como: Apili, Apili, Apili, Sempre perto do seu homem. Macho, macho grande, Combatente do povo Mas os tugas (colonos portugueses) arrumaram as suas coisas Para voltar para a terra deles Os (nossos) combatentes entraram na praça O home de Apili foi. Foi buscar outra mulher, uma mulher que saiba entrar e sair Apili ficou sozinha com a lembrança de canseira, de fome e atormento Apili não te deixes ir, não abandones A verdade do partido não se perde, a não ser na boca dos mal-intecionados ------------------------------------------------------ Esta música, o contexto em que foi produzida são histórias que merecem ser contadas. O Zé Carlos tem uma influencia gigantesca na minha vida. Consid...

Beleza que palavras não podem descrever...

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Ed Harris me fez descobrir Jackson Pollock. E foi assim descobri uma pintura que me tocou (toca) de forma indescritível. Quando fui a Veneza hà decadas atrás (tinha uns 14 anos) eu me tinha “apaixonado” por Tintoretto, mas retrospectivamente acho que teve muito a ver com como o meu casal de professores (sim, eram mesmo casados, Mr et Mme Delay) nos contou as historias associadas aos quadros dele. Eles conseguiram transmitir a paixão deles... Mas Pollock é outra coisa... Não percebo nada do que está nas telas dele, vejo algo bonito até dizer chega. Pego qualquer quadro dele deste período e fico de boca aberta. Seja o Number One, Lavender Mist, o #4, qualquer... Este nº 7 é... pffff... Quem dera poder por em música esse quadro...

Coisas que nos tocam sem sabermos porquê....

É. Mais uma daquelas coisas que não sei explicar... talvez porque gostei do video, talvez a seqüência de personagens pouco comuns, talvez o tema tratado, talvez isso tudo e muito mais...

As pessoas são naturalmente boas ou más?

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Para melhor viver, o que é melhor? Partir do pressuposto que as pessoas são ignorantes, idiotas, mesquinhas, egoístas, etc., e ter boas surpresas pelo caminho? Ou é melhor assumir que em geral as pessoas são boas, carinhosas, inteligentes, altruístas, etc., correndo o risco de ter que apanhar com algumas valentes decepções pelo caminho? Se eu escolher a primeira opção sou chamado de pessimista arrogante mas pelo menos tenho boas surpresas. Se escolho a segunda vertente sou chamado de inocente-ultra-sensível (um emo...) e vivo levando porrada. Confesso que já caminhei nas duas trilhas e não consegui chegar a uma conclusão. O engraçado é que mesmo sem ter decidido isso para mim, em termos de educação do meu filho a tendência é aconselhar a segunda opção. Obviamente que não faço idéia se essa decisão é a certa, mas pelo menos demonstra um certo otimismo, não?

Incapaz de falar...

É impressionante! Tanta coisa para dizer para tanta gente diferente, e na hora H...nada...zero...niente! É assustador, parece uma experiencia fora do corpo, um momento de descontrole, de falta de dominio sobre a boca, os lábios, sei lá... E o mesmo tem acontecido com a música. E escondo-me sob o pretexto que só consigo compor quando tenho um objetivo. Não sei quem estou a tentar enganar :D Vamos lá!