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Saudades de Madiba...

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Em 1994, após o fim do regime do apartheid na África do Sul, foi criada a Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).Foi um movimento profundamente ligado a elson Mandela e ao seu legado de perdão e justiça. Madiba, apelido carinhoso dado a Mandela, esteve no centro da transição pacífica do país para a democracia, sendo a CVR um dos pilares desse processo de cura e reconciliação nacional. O principal objetivo da CVR era investigar violações de direitos humanos ocorridas durante o apartheid e promover o perdão , a reconciliação e a compreensão entre os diferentes grupos sociais sul-africanos. Após 67 anos de luta de Madiba contra a dominação branca e por igualdade, a CVR foi fundamental para que a África do Sul não mergulhasse em um conflito maior. A comissão permitiu que vítimas e perpetradores de crimes dessem seus testemunhos, promovendo um ambiente de busca pela verdade e pelo perdão. Salvo erro, Madiba consegiu que agressores e agredidos sentassem na mesma mesa, que torturadores e...

Mais educação, por favor...

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O momento social e político do Brasil e do mundo como um todo, parece mostrar que chegamos a um novo período de tensão pré-revolução, pré mudança de paradigmas. A história mostra que esses momentos são quase sempre dolorosos e violentos, mas que são seguidos por grandes saltos de evolução para a humanidade como um todo. É um facto. Foi assim na revolução francesa, russa, cubana, chinesa, as guerras mundiais, nas “primaveras” estudantis, as diversas conjurações, etc. O nosso instinto de proteção nos faz ter pavor desses momentos – como não ter medo, não é? Mas a verdade é que é difícil evolução sem dor, não existe crescimento sem ossos e músculos que se reajustam, que se recolocam. É da nossa natureza, me parece que faz tanto sentido lutar contra isso, quanto lutar contra a influência da lua nas as marés.  É difícil, mas não é impossível. O homem já foi à lua, já desviou rios e alterou correntes. Já erradicou doenças e inventou o avião. Já identificou o seu próprio genoma, ...

Ciclos...

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Fim de um ciclo, início de outro. Há meses que não escrevo no blog. É um belo momento para um balanço. Mudei de casa, mudei de trabalho – mesmo se dentro do mesmo grupo empresarial – e fiz uma pequena volta ao mundo. Há seis anos que me mudei para Brasília, num projeto de vida que mudou um pouco daquilo que eu tinha em mente. E é sempre assim, as coisas raramente acontecem completamente conforme o plano. A grande mudança foi obviamente a minha separação, esta nova vida de pai a part-time é algo para o qual não estava preparado. Mas somos seres extraordinariamente adaptáveis, maleáveis. Depois do choque, foram se criando novos hábitos, novas rotinas e no fim, tudo acabou por dar mais ou menos certo. Passamos todos por momentos problemáticos e sobrevivemos. Hoje tenho a nítida sensação de estar no começo de um novo ciclo, de uma nova realidade, embora não faça bem ideia do que vai ser. Mas a sensação é ótima. É por isso que quis fazer esta viagem que planejei mil vezes no...

6 graus de separação...

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Sabem o que isso quer dizer? É uma teoria (não sei se comprovada) que diz que cada pessoa está a 6 graus de separação de todos os habitantes do planeta. Explico: eu conheço uma pessoa A, isso representa um grau. A pessoa A conhece a pessoa B que eu não conheço. A pessoa B está a 2 graus de separação de mim. A pessoa B conhece a pessoa C que nem eu nem a B conhecemos. Eu estou a 3 graus de C e assim de seguida (mais aqui ). Isto vai levar a uma historia triste. Aquelas coisas que pensamos que estão “longe” de nós... Tenho jogado Poker online. Melhor. Tenho tentado aprender a jogar Poker. E numa das salas de jogo acabei por conhecer um casal de irmãos de Detroit. Ambos jogam Poker há muito tempo, são muito bons e aceitaram me ensinar alguma coisa para eu parar de perder. Os 2 são novos (acho que têm entre 28 e 30) e a história triste é que ela perdeu o marido no Iraque. Nunca tinha pensado que um dia ia estar tão próximo da tragédia que é essa guerra. Independentemente de não saber as ra...

Anti-social...

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Já estou sem carro há algum tempo (outra vez). É para uma boa causa: conseguir pagar o aluguer de um apartamento. Pois é. Não dá para ter os dois. Mas não é disso que se trata aqui. Por causa dessa circunstância tenho de ir trabalhar de transportes públicos. O que para mim é até bom, na medida que a Asa Norte de Brasília não é assim tão mal servida. E dá par ir, de cabeça vazia, sem pensar em nada, sem comunicar com ninguém, como gosto de fazer. O pior para mim e o meu assumido lado anti-social, é quando me oferecem carona/boleia. Uma coisa é eu saber que vou fazer um trajeto com outra pessoa, eu preparo-me para esse momento, penso nas conversas que podemos ter, nas coisas que eu quero falar etc. Ou seja, estou predisposto para esse momento, esse confronto. Outra coisa totalmente diferente é ser apanhado de surpresa. Está tudo preparado para que eu consiga fazer o trajeto sozinho e de repente encontro alguém que me propõe a carona ou boleia. Aí a coisa estraga! Ainda tento recusa...

There's something about the music...

Já nem sei se já escrevi sobre o assunto. E mesmo que já tenha, o assunto é-me importante... Recorrentemente, volto a pensar no meu percurso de vida e tento identificar o momento em que escolhi não perseguir o meu sonho. Ou, sendo menos dramático, escolhi hipotecá-lo em prol de alguma segurança. Acho que aconteceu quando vislumbrei que poderia fazer “carreira”, que não era o inútil que algumas pessoas pensavam que eu era. Na altura não tinha discernimento para afastar do meu caminho qualquer interferência/opinião de terceiros. Não quer dizer hoje tenha, mas pelo menos hoje sei expressar um “NÃO” convicto e repetir claramente para quem insiste “que parte de NÃO, não percebeste?”. Isso ajuda muito a ser seguro. Dizia eu que quando achei que poderia “fazer carreira” foi quando conscientemente escolhi me afastar do mundo da música. Isso aconteceu no inicio da década de 90. De fato algumas qualidades me permitiram destacar e crescer profissionalmente, em vários ambientes diferentes (vendas,...

Quem matou Jesus Cristo?

São estas pequenas coisas que abalam o meu otimismo. Sim, sou otimista a um ponto que ninguém acredita. Mas voltando. Ao sair hoje de manhã de casa, passava um documentário com o tema supra citado. Obviamente que é a eterna guerrinha entre judaísmo e catolicismo, com a natural arrogância de descartar todas as outras religiões monoteístas (para não complicar a coisa...), sobre se de fato Jesus foi vitima do tribunal judaico ou romano.   Não me importa na realidade responder a essa pergunta. O que mais me aflige, e seja dito en passant que estou a colocar-me no papel de quem acredita em Deus, é que mais de 2000 anos depois do dito evento, e com tudo o que a história nos ensinou desde então, o ser humano teima em separar as coisas por raça, crença, cor de pele, gênero, nacionalidade ou seja lá ou qual outro atributo absurdamente não-aplicável. Pior ainda. E não só separa como generaliza estupidamente. Opinião pessoal: O que diferencia as pessoas deste planeta, realmente, não são esses...

A serenidade para aceitar as coisas...

Como disse Reinhold Niebuhr na “Oração da Serenidade” (1934): ""Deus, dá-nos a graça de aceitar com serenidade as coisas que não podem ser mudadas, coragem de mudar as coisas que devem ser mudadas, e sabedoria para distinguir uma das outras.". Primeiro gostaria salientar que contrariamente ao que o povo pensa, esta oração não vem da bíblia e, embora obviamente religiosa, ela faz parte de uma serie de manifestos filosóficos do jovem acima citado, e não de algum livro fanático-depressivo... Continuando... Se, mesmo estando 99% convicto de que a minha atitude é a correta, que as soluções que proponho para diversos problemas são quase sempre validas e corretas, que a minha visão “fria” e analítica dos eventos e das pessoas me dá mais fundamento para antever o desastre (nem sei se consigo explicar o que sinto...), por mais que isso e muito mais, eu é que me encontro sempre na posição do julgado, do desadaptado, do peixe fora de água. Ou seja o mundo anda torto e eu tenho que ...

Nos meus momentos mais negros...

Imagino como seria a minha vida se um ente querido desaparecesse. Ou como seria a vida dos entes queridos se eu desaparecesse. Eu sei que não sou o único a ter pensado nisso. Temos todos que aprender a viver com a nossa autocomiseração masoquista e macabra... E para provar que sou sempre otimista e esperançoso, uma pérola do youtube para voces: Richard Bona e Bobby McFerrin em Montreal. Vale a pena continuar, não é? ;)  Keep walkin'!

Sub|version: Apili (José Carlos Schwarz cover)

E voltei a isto. Desta vez a vítima é uma musica do José carlos Schwarz, para mim, o maior autor/compositor da Guiné-Bissau (o Zé Manel é outro que espero falar mais tarde). A música se chama Apili, data dos anos 70, logo após a independencia da Guiné, salvo erro. A letra traduzida seria algo como: Apili, Apili, Apili, Sempre perto do seu homem. Macho, macho grande, Combatente do povo Mas os tugas (colonos portugueses) arrumaram as suas coisas Para voltar para a terra deles Os (nossos) combatentes entraram na praça O home de Apili foi. Foi buscar outra mulher, uma mulher que saiba entrar e sair Apili ficou sozinha com a lembrança de canseira, de fome e atormento Apili não te deixes ir, não abandones A verdade do partido não se perde, a não ser na boca dos mal-intecionados ------------------------------------------------------ Esta música, o contexto em que foi produzida são histórias que merecem ser contadas. O Zé Carlos tem uma influencia gigantesca na minha vida. Consid...

Beleza que palavras não podem descrever...

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Ed Harris me fez descobrir Jackson Pollock. E foi assim descobri uma pintura que me tocou (toca) de forma indescritível. Quando fui a Veneza hà decadas atrás (tinha uns 14 anos) eu me tinha “apaixonado” por Tintoretto, mas retrospectivamente acho que teve muito a ver com como o meu casal de professores (sim, eram mesmo casados, Mr et Mme Delay) nos contou as historias associadas aos quadros dele. Eles conseguiram transmitir a paixão deles... Mas Pollock é outra coisa... Não percebo nada do que está nas telas dele, vejo algo bonito até dizer chega. Pego qualquer quadro dele deste período e fico de boca aberta. Seja o Number One, Lavender Mist, o #4, qualquer... Este nº 7 é... pffff... Quem dera poder por em música esse quadro...

Adoro o cheiro da manhã...

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É verdade. É um ponto comum a todos os países em que passei, o cheiro das primeiras horas do dia, seja na cidade ou no campo, é entusiasmante para mim. É uma sensação muito otimista, de que tudo pode acontecer durante o dia, que tudo está por fazer, um mundo de novidades. Mesmo durante o verão, cedo de manhã sente-se um cheiro refrescante, tonificante, mistura de perfumes de pessoas que acabaram de tomar banho e sair para o trabalho, de café acabado de ser feito, de pão quente e fruta fresca. Isso se contrapõe bem ao que eu sinto para o fim do dia, mais deprimente, com cheiros usados, de comida requentada, de poluição, com a sua mágoa de coisas que deveriam ter sido feitas e não aconteceram por diversas razões todas mais louváveis umas que as outras... É. É o único momento do dia que posso honestamente dizer que gosto de trabalhar, de produzir alguma coisa (pessoal ou profissional)... Quem me dera que houvessem só manhãs...

Sub|version: Stormy Monday (T-Bone Walker cover)

Comprei um violão novo! E como todo musico amador, quero que o mundo saiba :D. Gravei em casa este pequeno blues. É honesto, é imperfeito, está cheio de erros, é blues! A experiência da gravação (first and only take, please!) foi divertida. Acho que vou repetir com outros covers e talvez algumas musicas originais pelo meio. Paz!

E o que vem a ser isto?

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Apenas uma tentativa de colocar para fora as coisas que me encantam, incomodam, fazem respirar fundo, tocam, abalam e embalam, aconchegam, sacodem, interpelam, comer como se não houvesse amanhã, assustam, irritam, fazem sorrir ou rir às gargalhadas, balançar ou dançar – pelo menos em teoria, franzir o sobreolho, cantar - sim, cantar e tocar sempre que possível, insultar - às vezes, matam a minha sede e fome, fazem chorar desalmadamente, tiram o fôlego, girar a cabeça, agridem; enfim, quase tudo o que, num processo complexo de várias décadas que resultou neste magnífico exemplo de contradição humana pacificamente simples e complexo que sou eu! É um monólogo para quem quiser ler, um diálogo comigo mesmo, uma terapia pública, uma catarse digital para quem estiver com paciência. No pior dos casos, nos dias de casa vazia, será o meu diário privado... E se pelo meio aparecerem coisas que já viram em algum lugar, a probabilidade é que eu tenha copiado - pode até ser do meu antigo diário ;)

Aniversário do Tiago...

Pois é... se ele aqui estivesse completaria 38 anos... Saúde mano!