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Um diálogo fantasmagórico...

Há anos que tenho este diálogo na minha cabeça. Durante muito tempo tive a certeza de ter tirado de alguma filme ou série televisiva. Mas já pesquisei horas e não encontrei absolutamente nada, em nenhuma língua familiar (português, francês, inglês ou espanhol). No entanto a situação é relativamente clara na minha mente. O personagem 1 - mulher, parece estar nos seus 20 e poucos anos - acabou de reaparecer para o personagem 2 - indefinido, não sei se é homem ou mulher - depois de algum tempo desaparecido. A sensação que tenho é que ela tinha fugido, e depois de um tempo - que não sei dizer se foram dias, semanas, meses ou anos - voltou a casa ou assim. E segue-se o curtíssimo diálogo: P2 (numa mistura de raiva, preocupação, alívio): Onde estiveste? O que aconteceu? Porque desapareceste assim? Porque não nos contaste onde estavas? P1: Apenas quis ver o que havia lá fora, como eram as coisas, como era a vida... P2: Podias ter perguntado, simplesmente! A vida é cheia de cheiros estran...

Pai, aquela guerra permanente...

Tão longe quanto a memória me leva, não encontro um momento de relação pacífica com o meu pai. Quando era pequeno lembro-me de surras indescritíveis pelos motivos mais absurdos, lembro-me da autoridade, lembro-me de momentos de descontração em que ele se tornava o narrador/ator de histórias da sua juventude, todas elas mais divertidas umas que as outras, lembro-me da autoridade implacável, mais baseada na violência física do que no respeito (pelo menos hoje é essa a leitura que tenho). E essa autoridade persegue-me, colada à pele, em cada momento do meu relacionamento com o meu filho. Eu que sempre apregoo o “não ter medo” fico apavorado com a ideia de cometer com o Milan os mesmos erros que acho que ele cometeu comigo. E é uma merda viver com esse fantasma. Continuando... O tempo foi passando, o casamento dos meus pais foi se desmoronando, ele foi se envolvendo com álcool (que ele não agüenta) e jogos, eu fui crescendo, o confronto foi deixando de ser pai/filho para ser homem/h...

Anti-social...

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Já estou sem carro há algum tempo (outra vez). É para uma boa causa: conseguir pagar o aluguer de um apartamento. Pois é. Não dá para ter os dois. Mas não é disso que se trata aqui. Por causa dessa circunstância tenho de ir trabalhar de transportes públicos. O que para mim é até bom, na medida que a Asa Norte de Brasília não é assim tão mal servida. E dá par ir, de cabeça vazia, sem pensar em nada, sem comunicar com ninguém, como gosto de fazer. O pior para mim e o meu assumido lado anti-social, é quando me oferecem carona/boleia. Uma coisa é eu saber que vou fazer um trajeto com outra pessoa, eu preparo-me para esse momento, penso nas conversas que podemos ter, nas coisas que eu quero falar etc. Ou seja, estou predisposto para esse momento, esse confronto. Outra coisa totalmente diferente é ser apanhado de surpresa. Está tudo preparado para que eu consiga fazer o trajeto sozinho e de repente encontro alguém que me propõe a carona ou boleia. Aí a coisa estraga! Ainda tento recusa...

Tiago...meu irmão

Isto agora vai ainda mais triste. Fujam enquanto é tempo... (Já viram como gosto de usar reticências? Será que isso quer dizer que não gosto de “acabar” as coisas? Que estranho. Penso de mim precisamente o contrário. Como me posso enganar tanto?) Para quem não sabe, tenho hoje 2 irmãos, ambos mais novos. No entanto, houve um momento (curto) na minha história em que fui o irmão mais novo de alguém. Foi durante o primeiro ano da minha vida. Tinha um irmão mais velho chamado Tiago, um ano mais velho que eu. Ele morreu num acidente de carro quando tinha 2 anos. Fora o drama do acidente em si, a morte de um ente muito querido, de uma criança, de um filho/irmão/neto, a morte dele teve outra particularidade que criou um tabu na família: quem ia ao volante do carro era a minha tia, irmã mais nova do meu pai. A história contada é que num domingo o meu irmão e eu tínhamos ficado em casa da nossa avó paterna enquanto os nossos pais iam ao cinema (ou passear, ou festa, algo do gênero). A noss...

End discrimination. Hate everybody!

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A palavra preconceito é definida na maioria dos dicionários como sendo um julgamento ou opinião formada antes do conhecimento do conceito, conceito sendo definido como a representação intelectual de um objeto (grosso modo, não é importante ir a detalhes). É interessante notar que não existe nenhum julgamento de valor na definição da palavra: se é bom ou mau, se é correto ou errado etc. Á partida talvez o único julgamento de valor que me parece aplicável (com toda a ressalva possível) é de saber se é justo ou injusto. Para mim, á base parece-me injusto julgar sem conhecer a essência da coisa. Mas isso sou eu. E eu tenho o preconceito relativamente a saltar de aviões ou precipícios sem pára-quedas ou algum artifício de segurança. Mas como disse: isso sou eu. E porque de repente me lembrei de falar deste tema? Não é de repente. É daqueles posts de Blog que ficou nos rascunhos desde que comecei este pseudo diário-de-bordo. Escrevi e reescrevi varias vezes na tentativa de encontrar o...