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Sabes o que mais me incomoda?

Contextualização rápida, para quem ler isto sem saber do que se trata: a situação política no Brasil está numa encruzilhada assustadora. Um esquema de corrupção duradouro, uma crise econômica, uma polarização popular extremamente agressiva (chamam aqui de Fla-Flu político, como referência à rivalidade esportiva entre o Flamengo e o Fluminense) e uma coisa chamada Internet e redes “sociais”, que é como tentar apagar fogo com gasolina. E vamos então a isto. Sabes o que mais me incomoda? É a polarização política nos ter levado a ter medo de discutir para evitar o conflito. É eu evitar assuntos com família, amigos, colegas, só para evitar o desgaste do debate. É eu me ver entrincheirado. É eu me observar, quase como uma experiência fora do corpo, e ver que aqui e ali, eu reconheço que o outro lado tem um bom argumento ao qual vou, no calor da discussão, ser surdo. E saber que, quando eu tiver razão em alguma coisa, o outro lado também não me vai ouvir, mesmo se eu sei que ele conc...

Apologize for the good things you've done...

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Uma vez eu vi um documentário sobre um das minhas bandas preferidas, Fishbone. O documentário tinha o mesmo nome que o que era na altura o último disco deles: "The Reality of my Surroundings" - en passant , é um disco absolutamente fabuloso, que aconselho a qualquer terráqueo com o orelhas limpas e abertas. Mas não é disso que se trata, aqui. No documentário, como dizia antes de ser interrompido por mim mesmo, os vários integrantes da banda são entrevistados. Uma das perguntas que lhe é feita é precisamente "what is the reality of your surroundings?". O baixista, John Norwood Fisher respondeu assim: The reality of my surroundings is that I always try to do right, but end up doing wrong. Oh lord have mercy! Essa frase sempre me fez pensar na nossa realidade, na minha condição humana em pelo menos tres graus: A minha capacidade em aceitar os erros dos outros e, mais importante ainda, os meu próprios erros. Um pouco mais profundo, em como aceitar que um...

A dicotomia do políticamente correto...

Um dia eu conversava com o meu filho e perguntei se ele tinha namorada ou namorado. Gravei a conversa e coloquei num blog que eu mantinha, falando sobre ele, as coisas interessantes que ele dizia, etc. Lembro-me de um amigo ter ficado escandalizado por eu ter perguntado se ele tinha namorado. Escandalizado talvez seja um exagero, mas que ficou incomodado, ficou. E eu não esperava isso dele visto que ele é uma pessoa com mente aberta. Ou melhor, não esperava a velada reprimenda. As pessoas são "mente aberta" até certo ponto. Quando a coisa lhes toca na pele, a história é outra. É algo do tipo: Não sou homofóbico mas o meu filho não é homossexual... Sou pró equidade até a minha colega ser promovida no meu lugar... Não sou racista até a minha filha se apaixonar por um asiático... Não julgo pelas aparências mas não contratarei aquele jovem com dreads e piercings , pós graduado e melhor candidato para o cargo... Haja paciência...

Não queremos saber tudo. Só um pouquinho...

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Há coisas que não podem, não devem ser ditas. Esta frase me foi dita algumas vezes por pessoas que precisamente prezavam a sinceridade, a honestidade, a transparência nas relações... Algumas vezes, quando achavam que eu era um jovem calado, demasiadamente introspectivo, pediram-me para ser sincero, completamente aberto. E quando fui, pediram para ser menos, aplicar uns filtros. E então? Afinal em que pé dançamos? Ahhh, lembrei-me! É difícil ser coerente. Mas não deveria ser difícil tentar, pelo menos. Como em muitas coisas da vida, a “verdade” há de estar algures nesse meio-termo, não é? Mas eu tenho dificuldades com meios-termos. Quem me conhece já o sabe. Porque o meio-termo exige pensamento/reflexão antes de qualquer ação. Isso tem impacto no dinamismo das relações, das conversas, das interações, das trocas de ideias... Sem contar que é cansativo. Pelo menos para mim. Ter que pensar um pouco mais do que já penso, antes de verbalizar/agir/escrever/sinalizar? Mas não estou isento da ...