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Viagem no tempo...

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Por razões de saúde do meu pai, tive de passar o mês de janeiro de 2018 em Paris. Não era uma viagem que fazia parte dos meus planos, ainda menos no inverno desgostoso que aquela cidade tem. Mas, decidido "a fazer do limão, a limonada", aproveitei para fazer uma viagem no tempo, num sentido quase literal. Explicando... Minha família saiu de Bissau (Guiné-Bissau, pequena ex-colonia portuguesa da costa ocidental africana), onde nasci, em 1984, rumo a Paris. Para nós, isso era como ir morar para a Lua. Para entender um pouco da Guiné, convido, se tiverem tempo e curiosidade, a ler as 5 partes do texto "Por onde passou o ‘ Homem Novo’ forjado na Luta?! ", escrito pelo meu pai, no blog dele ( Tatitataia ). É, basicamente, a historia dos meus pais. Dito isso, em 1984, no dia 6 de junho, precisamente, meus irmãos, nossa avó (hoje faz 1 ano que ela morreu) e eu saímos de Bissau para passar férias em São Vicente, Cabo-Verde. Saímos de férias e nunca mais voltamos. ...

O mundo sem Michael...(3/3)

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O anúncio da tournée This Is It! me apanhou completamente de surpresa. Assim como a morte dele, aliás. Obviamente. Eu sabia que ele estava profundamente endividado e sentia muita pena que um artista que tinha dado tanto prazer ao planeta se encontrasse nessa situação. Mas infelizmente ele não seria o primeiro nem o último – lembro-me do Mick Jagger verbalizar a surpresa dele ao encontrar Muddy Waters a pintar o teto do estúdio onde os Stones iam gravar uma musica do próprio Muddy. Surreal e tão tipicamente “nós”. Enquanto isso como eu disse aqui Erasure faz tournée mundial. Fucked up world, ain't it? In a big way . Mas eu tinha a sensação que a tournée seria fabulosa. O filme que saiu depois me conformou nessa opinião: Michael ia dar simplesmente o melhor espetáculo do Mundo...outra vez. Ia calar todas as bocas quanto à sua qualidade de entertainer. E veio a morte. Ele tinha 51 anos! E desses 51, 46 foram passados sob os holofotes. Não consigo sequer vislumbrar o que isso pode si...

O mundo sem Michael...(2/3)

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Em França eu vi Michael ao vivo. Pois. Um show surreal da tournée Dangerous , salvo erro. Para mim o melhor álbum dele é o Bad . O Thriller é fabuloso, sem dúvida, além de ser um marco histórico que continua firme até hoje, quase 30 anos depois: único álbum que vendeu mais de 100 milhões de exemplares. O segundo classificado vendeu menos da metade. Beat that! Mas como costumo dizer, Bad é dele! Mostra um Michel seguro de si como nunca foi antes ou depois. Ele compôs quase tudo e coproduziu tudo com o Quincy Jones (quantos artistas podem se dar a esse luxo?). Controlou cada rédea do álbum. Resultado: para mim, um dos melhores álbuns da história. Coeso, ultra bem produzido, músicas fantásticas. Mas eu não fui nessa tournée. Stupid me! Fui na seguinte, com a minha irmã nos ombros boa parte do show (ela era pequeninha e não conseguia ver o palco). E até hoje me lembro de ter sido um momento alto da minha vida. Dangerous Tour , em junho ou julho de 1993, salvo erro. Um show inesquecível. ...

O mundo sem Michael...(1/3)

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Como o tempo voa. Já vão dois anos desde a morte do Michael. É impressionante o buraco que ele deixou. Não que a produção artística dele nos últimos anos tivesse sido muita coisa. Eu desliguei dele um pouco depois do HIStory , salvo erro. Ou antes mesmo, não me lembro. Como muitos, acabei por apenas acompanhar a loucura mediática à volta dele – processos, operações, pele cada vez mais branca, crianças, Neverland... enfim. Cresci com Michael. Sem dúvida. Em Bissau, eu lembro-me bem que festa não era festa que não tocasse pelo menos duas ou três do Thriller. Com o recuo do tempo era surreal ouvir aquele som lá. Imaginem um país africano, recém saído do jugo colonial (em 74), ainda cheio de esperanças e motivações. Até aos meus 12 anos só ouvíamos música africana/antilhesa ou a MPB: Guiné-Bissau: essencialmente José Carlos Schwarz, Zé Manel, Mama Djombo... Cabo Verde: Os Tubarões, Bana... (tudo isso antes de entrarem à batatada, quando ainda se consideravam povos irmãos) Outras musicas ne...

Saudades...

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 Sempre vivi a mudança com algum orgulho. O fato de ter mudado 3 ou 4 vezes de país, de cultura, de língua, sempre foi motivo de orgulho quando não foi de alguma altivez em relação ao mundo e aos que nele vivem. Mas isso tem um preço. Um preço que talvez eu pague com o tempo, à medida que vou ficando mais velho. Sempre tentei (e tento) não me apegar ao passado, não deixar que ele me impeça de crescer. Mas sou humano. E com o tempo cada vez mais tenho a sensação de que o “melhor” da minha vida já passou. O melhor tanto no sentido do melhor que eu tenho a dar, como do melhor que eu tenho a receber. Como dizia Lou Reed “it’s all downhill after the first kiss...”. E aí vem a tristeza. Parece uma luta sem sentido entre dois sentimentos antagônicos, ou para viver ainda melhores momentos, ou para ficar quieto e re-viver na memória os bons momentos que já passaram. A segunda opção acontece mais vezes do que eu quero, e a primeira opção, não consigo aplicar, por parecer forçada. A melhor pa...

Death by nostalgia

Num post anterior eu falei como tenho dificuldade em lidar com saudosismos, não foi? Salvo erro até expliquei um pouco mais no post sobre a reformação dos The Police . Hoje me disseram que os Creedence Clearwater Revival iam dar um show em Brasília. Eu respondi quase que automaticamente em tom infelizmente seco:"os sobreviventes, queres dizer". E outro amigo está feliz porque vai ver o show do septuagenário e caquético Paul McCartney como ilusão de ver os Beatles. E os Queen querem continuar sem Freddie Mercury... ha! Encontrei as palavras exatas do Zappa: "It isn't necessary to imagine the world ending in fire or ice--there are two other possibilities: one is paperwork, and the other is nostalgia. When you compute the length of time between the event and the nostalgia or the event, the span seems to be about a year less in each cycle. Eventually within the next quarter of a century, the nostalgia cycles will be so close together that people will not be able to take ...

2ª Copa do Mundo no Brasil!

Pois é! Ao voltar para casa hoje, deparei-me com aquele entusiasmo que encontrei em 2006 quando vim definitivamente para Brasília. Está TUDO vestido de verde e amarelo (até eu!), reina uma euforia, ninguém quer saber de trabalho (até eu!), coisa que em 2006 me tinha profundamente irritado. Está tudo fechado, antes do jogo começar estavam alguns engarrafamentos, mas nada que impedisse o bom humor geral contagiante. Infelizmente Portugal empatou a 0 contra (ou melhor, com) a Costa do Marfim, o que vai dificultar a qualificação, sobretudo porque o último jogo é contra o Brasil, precisamente. E para uma pessoa como eu que não entende porra nenhuma de futebol, é impressionate ver o nível critico dos fans em relação às seleções. O Brasil ganhou 2-1 contra a Coreia do Norte. E como em 2006 (e em 2002, e em 1998 etc) todos acham que a equipe é péssima. A paixão pelo futebol é enorme e às vezes (muitas) faz-nos perder o bom senso ;) Mas bom. É só um post meio melancólico. 4 anos. Passaram num i...