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Sabes o que mais me incomoda?

Contextualização rápida, para quem ler isto sem saber do que se trata: a situação política no Brasil está numa encruzilhada assustadora. Um esquema de corrupção duradouro, uma crise econômica, uma polarização popular extremamente agressiva (chamam aqui de Fla-Flu político, como referência à rivalidade esportiva entre o Flamengo e o Fluminense) e uma coisa chamada Internet e redes “sociais”, que é como tentar apagar fogo com gasolina. E vamos então a isto. Sabes o que mais me incomoda? É a polarização política nos ter levado a ter medo de discutir para evitar o conflito. É eu evitar assuntos com família, amigos, colegas, só para evitar o desgaste do debate. É eu me ver entrincheirado. É eu me observar, quase como uma experiência fora do corpo, e ver que aqui e ali, eu reconheço que o outro lado tem um bom argumento ao qual vou, no calor da discussão, ser surdo. E saber que, quando eu tiver razão em alguma coisa, o outro lado também não me vai ouvir, mesmo se eu sei que ele conc...

Ignorância é benção...

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Levei uma pancada como nunca levei na vida, ao jogar futebol com um pessoal um pouco mais entusiasmado. Ao tentar entrar enter dois jogadores - um deles do meu time, stupid me - para pegar a bola, um joelho encontrou com a minha coxa direita, como o que me pareceu ser o máximo de força possível para este tipo de encontro. Voei. Gritei. Quase chorei de dor. E fui para casa. Fui ver o médico no dia seguinte e ele me passou um medicamento. Mas todo essa autocomiseração é apenas o prólogo para o que realmente importa! Ontem tive a boa ideia de ler a bula do medicamento. Stupid me...again ! No primeiro parágrafo da parte que fala de "interações medicamentosas", aparece a seguinte pérola: Existem relatos de que a tiamina pode aumentar o efeito de bloqueadores neuromusculares, desconhecendo-se o seu significado clínico. Eu ri sozinho em casa durante uns bons 15 minutos... Pelo menos, não podemos acusar de falta de honestidade ou transparência. PS: Ao pesquisar uma im...

Não queremos saber tudo. Só um pouquinho...

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Há coisas que não podem, não devem ser ditas. Esta frase me foi dita algumas vezes por pessoas que precisamente prezavam a sinceridade, a honestidade, a transparência nas relações... Algumas vezes, quando achavam que eu era um jovem calado, demasiadamente introspectivo, pediram-me para ser sincero, completamente aberto. E quando fui, pediram para ser menos, aplicar uns filtros. E então? Afinal em que pé dançamos? Ahhh, lembrei-me! É difícil ser coerente. Mas não deveria ser difícil tentar, pelo menos. Como em muitas coisas da vida, a “verdade” há de estar algures nesse meio-termo, não é? Mas eu tenho dificuldades com meios-termos. Quem me conhece já o sabe. Porque o meio-termo exige pensamento/reflexão antes de qualquer ação. Isso tem impacto no dinamismo das relações, das conversas, das interações, das trocas de ideias... Sem contar que é cansativo. Pelo menos para mim. Ter que pensar um pouco mais do que já penso, antes de verbalizar/agir/escrever/sinalizar? Mas não estou isento da ...