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Conviver com medo...

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É uma merda! Hoje, saí relativamente cedo para o trabalho. O Taxi passou por parte do caminho que, normalmente, uso para ir para o clube, onde jogo tenis. A imagem abaixo mostra mais ou menos o percurso que eu costumo fazer, umas duas ou três vezes por semana, de patinete elétrico. Agora, por causa do medo, muito provavelmente esse percurso passará a ser descrito como "o percurso que eu fazia". Ao passar uns 100 metros do lugar onde aparece a bicicleta, na imagem, o motorista notou que estavam dois carros da polícia e aproveitou para me explicar que a polícia estava lá porque, na manhã ou madrugada anterior, duas pessoas tinham sido baleadas ali. Importante saber que esse "finalzinho da UnB" se tornou um lugar onde, desde a pandemia, creio, tem muita gente em situação de rua. Pelo menos umas seis ou set famílias vivem lá. Eu passava lá também quando voltava do trabalho, também de patinete elétrico. Como costuma ter menos carros, era sempre um percurso mais fácil de ...

Saudades...

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 Sempre vivi a mudança com algum orgulho. O fato de ter mudado 3 ou 4 vezes de país, de cultura, de língua, sempre foi motivo de orgulho quando não foi de alguma altivez em relação ao mundo e aos que nele vivem. Mas isso tem um preço. Um preço que talvez eu pague com o tempo, à medida que vou ficando mais velho. Sempre tentei (e tento) não me apegar ao passado, não deixar que ele me impeça de crescer. Mas sou humano. E com o tempo cada vez mais tenho a sensação de que o “melhor” da minha vida já passou. O melhor tanto no sentido do melhor que eu tenho a dar, como do melhor que eu tenho a receber. Como dizia Lou Reed “it’s all downhill after the first kiss...”. E aí vem a tristeza. Parece uma luta sem sentido entre dois sentimentos antagônicos, ou para viver ainda melhores momentos, ou para ficar quieto e re-viver na memória os bons momentos que já passaram. A segunda opção acontece mais vezes do que eu quero, e a primeira opção, não consigo aplicar, por parecer forçada. A melhor pa...

Filhos - como vai ser?

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Tenho andado mais introspectivo ultimamente. Mas não abandonei o Blog. É só que os pensamentos e emoções têm sido tantas e intensas que tenho tido talvez, alguma dificuldade em processar tudo antes de vir aqui partilhar. Mas está tudo bem. Vai dar tudo certo! :) O engraçado com o um blog pessoal é que mesmo assim ainda não é o lugar onde vamos dizer absolutamente tudo, não é? Tanto quem escreve como quem lê não está pronto para tanta honestidade. Hmm. Nota para myself: escrever sobre isso! Adiante! O meu sobrinho nasceu. Na verdade nasceu mais um sobrinho :) É o Pablo, filho do Pedro, meu irmão mais novo, aquele que sempre foi o nosso “bebê”, mesmo sendo maior do que qualquer um de nós. Vê-los com o bebê foi um momento emocionante. Muito emocionante. É como o fecho de um ciclo, inicio de outro. Nós os três já saímos da infância/adolescência/vida de jovens adultos, para passar a ser pais. A felicidade está estampada na cara deles e é tão boa de ver e presenciar. O Milan também ...

Memórias da chuva...(1)

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Desde que a memória me consegue levar, sempre adorei a chuva. Não existe cheiro mais apaziguador e inebriante que aquele que antecipa a chuva. Em todos os países por onde passei tenho uma lembrança boa associada à chuva. Em Bissau lembro-me do quanto antecipávamos a chuva. Nós crianças, adorávamos tomar banho de chuva. Era a melhor coisa do mundo. Os rapazes jogavam futebol no meio das ruas desertadas pelos carros, as meninas corriam embaixo das goteiras que deixavam cair enormes quantidades de água. Tanto que ás vezes doía. Lembro-me de uma vez que eu estava a voltar para casa de um futebol perto de casa, devia ter os meus 11 anos. Eram por volta das 4 da tarde e de repente ficou tudo escuro. Nunca tinha visto algo igual. Em casa estava só a minha avó e não havia eletricidade – fato normal em Bissau e muitos outros países africanos – e eu queria ir para rua tomar banho quando a chuva caísse. Era estranho porque o céu estava cinza escuro e não havia vento. Minha avó ficou com medo e nã...

Não tenho medo da morte!

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Pois não! Nos últimos tempos tenho visto muitas mortes repentinas, de pessoas da minha geração ou pouco mais velhas (“muitas”? Que exagero. Talvez não tenham acontecido mais do que o costume e eu tenha estado mais atento. Será?). Não estou a falar de mortes por doenças longas, de velhice, ou de outras causas talvez mais “compreensíveis”. Estou a falar de mortes por razões estranhas, normalmente não identificadas, como crise cardíaca, ruptura de aneurisma etc. Ou seja, estou a falar de pessoas perfeitamente saudáveis (pelo menos em aparência) que de repente, pfff, morrem, sem mais nem quê. Acho que não imagino sequer a dor que deve ser para os familiares, amigos, amantes etc, perder uma pessoa assim de forma tão pouco “digerível”. Isso tudo para explicar porque pensei na morte. Pensei muito nisso. Não tenho medo da morte em si, não tenho medo do “deixar de ser”, de deixar de respirar etc. Tenho medo da dor, seja ela qual for, física ou psicológica. Tenho mesmo terror da dor. É um...

O medo

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Há alguns anos eu falo deste assunto com as pessoas mais próximas, da (minha) necessidade de exorcizar o medo, seja como for e seja ele qual for... O mundo que nos cerca é regido pelo medo nas suas formas mais sorrateiras. Infelizmente, isso começa muito cedo em nossas vidas, tão logo começamos a perceber o mundo que nos rodeia, assim que perdemos um pouco da nossa “virgindade". Quando criança, ainda inconscientes dos pseudo-perigos que nos rodeiam, o mundo tem definitivamente uma cor diferente. Pouco a pouco, à medida que o que eu associo com medo começa a se tornar parte da nossa vida, tudo muda. Tentei me lembrar da primeira vez que fui confrontado com o medo e é impressionante como isso aconteceu cedo. O medo dos nossos pais, a nossa salvação, as pessoas mais importantes em nossas vidas. Como é esse medo? É o medo de quebrar os brinquedos, de não comer tudo o que nos foi servido, de rasgar os livros, de destruir o aparelho de som do pai, de cometer erros, de sermos nós mesmos,...