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Comendo vento...

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Fui passear com o anão, num domingo de manhã. Andamos cerca de 20 minutos até chegar ao fim da "península" do Lago Norte, aqui em Brasília, na beira do lago. Estava Sol, mas mesmo assim não fazia muito calor, alguns rapazes tentavam aproveitar a brisa com os seus papagaios (pipas, vou ter que experimentar um dia...), muito agradável. E falamos um bom bocado. Tenho que fazer isso mais vezes, só ele e eu. Foi engraçado porque não parecia muito uma típica conversa pai/filho, mas mais um par de amigos trocando ideias. Entre outras filosofias (sim, sim, filosofias mesmo) uma ficou na minha cabeça. Estávamos sentados em baixo de uma árvore, a poucos centímetros da água. Esse canto de terra é mais ventoso do lago. E disse: Pai, eu adoro comer vento. E tu? Eu pensei alguns segundos e respondi: Sim! Sabes o quê? Eu também gosto muito! E ficamos os dois em pé uns minutos, de boca aberta, a comer todos os centímetros cúbicos de vento que pudemos. E depois fomos para casa almoçar......

100 palavras

100 palavras para me lembrar quem sou, do que gosto, quem amo ou amei, de onde venho, onde gostaria de ir, como gostaria de estar. 100 palavras para me explicar o vazio, apaziguar o vento ou aproveitar o passeio. 100 palavras que podem suavizar a violência do desmantelar de quase tudo, atenuar o fedor do esquecimento e pintar o vácuo com cores as cores da luz. 100 palavras para renascer outra vez e sorrir com o olhar, apreciar a chuva e a memória de dias melhores que já começaram. Tipicamente eu. Com espaço para dizer tudo e ficar sem palavras... :-P