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Mostrando postagens com o rótulo percepções

Coisas que preciso mudar...

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Estava em São Paulo a trabalho e decidi ir caminhar de noite. Era tarde quando saí do hotel, umas 21h30, por aí. Caminhei pela Berrini, uma volta no Parque do Povo e de volta para o hotel. No caminho, encontrei poucas pessoas, devido ao horário. Mas todas as meninas ou mulheres com quem me cruzei, pensei: "que perigo, ela estar na rua a esta hora!". Pensei isso das altas, das baixas, das magras, gordas, brancas, pretas. Pensei isso das que aparentavam vir de meios humildes, como das que mostravam ser classe média/alta. Pensei isso um pouco mais enfaticamente das que iam sozinhas, mas também pensei das que iam em grupos de duas ou três. Pensei isso até do único homem que aparentava, pelo trejeito, adereços e postura, ser homossexual. Pensei "que bonito que ele é! Não deveria estar sozinho aqui". E senti o olhar desconfiado dele sobre mim, ao me aproximar, assim como os passos que se aceleraram logo depois de nos cruzarmos. Também cruzei grupos de 2 ou 3 mulheres ...

Apologize for the good things you've done...

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Uma vez eu vi um documentário sobre um das minhas bandas preferidas, Fishbone. O documentário tinha o mesmo nome que o que era na altura o último disco deles: "The Reality of my Surroundings" - en passant , é um disco absolutamente fabuloso, que aconselho a qualquer terráqueo com o orelhas limpas e abertas. Mas não é disso que se trata, aqui. No documentário, como dizia antes de ser interrompido por mim mesmo, os vários integrantes da banda são entrevistados. Uma das perguntas que lhe é feita é precisamente "what is the reality of your surroundings?". O baixista, John Norwood Fisher respondeu assim: The reality of my surroundings is that I always try to do right, but end up doing wrong. Oh lord have mercy! Essa frase sempre me fez pensar na nossa realidade, na minha condição humana em pelo menos tres graus: A minha capacidade em aceitar os erros dos outros e, mais importante ainda, os meu próprios erros. Um pouco mais profundo, em como aceitar que um...

Um dia irrequieto e inquieto...

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Um dia estranhíssimo, como já não tinha há muito tempo.   Fui para São Paulo para uma reunião que durou a manhã inteira. Nessa noite fiquei num hotel bizarro no norte da cidade, porque pelos vistos todos os hotéis da cidade estavam cheios. Parecia o hotel daquele filme dos irmãos Cohen - Barton Fink. Quarto grande com uma cama de casal e outra de solteiro, tapete sujo, televisão antiga de 14 polegadas, ligeiro cheiro a mofo, Internet ultra lenta...enfim. Aliás, todo o bairro parecia estranho. Muito tempo para pensar. Veio tudo ao mesmo tempo, memórias de Lisboa, Paris, Montpellier, nascimento e primeiros meses/anos do Milan, viagem com ele para Paris quando tinha apenas 10 meses, a vinda para o Brasil, Luanda, as escolhas profissionais... fui dormir eram umas 2 da manhã. Exausto. Acordei às 7 com o despertador, banho, café, atravesso o trânsito nojento de São Paulo até chegar à reunião. 5 horas de discussão sobre o futuro dos Indicadores Ethos - em outras palavras, "como salvar o ...

Paixão não correspondida é uma merda!

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Quando encontramos alguém que o coração acha que é “aquela pessoa”, que coisa estranha. De repente começam os filmes, imaginamos situações, vemos sinais de possibilidade – ou não vemos os de impossibilidade – em quase tudo. A simples presença da dita pessoa causa uma taquicardia ridícula, a voz, gestos, sorrisos, nem se fala. Hoje ainda temos uma versão digital do desse estado alterado que é quando o dito cidadão – sempre quis usar essa palavra :D – entra no mensageiro online, seja ele qual for (msn, gtalk, chat do facebook etc). E esse estado patético não conhece idade. Já vi o anão (para quem não sabe, meu filho) com esses sintomas todos, já vi amigos e amigas assim, e obviamente, também conheço bem esse drama. O drama é quando fica claro que não há correspondência do outro lado. Pfff, esse é o busilis! Colocamos tudo em questão, o que fizemos de errado, aquilo que tinha ficado exageradamente colorido na fase eufórica de repente fica baço, em tons pastel. Nesse momento é difícil acei...

Não queremos saber tudo. Só um pouquinho...

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Há coisas que não podem, não devem ser ditas. Esta frase me foi dita algumas vezes por pessoas que precisamente prezavam a sinceridade, a honestidade, a transparência nas relações... Algumas vezes, quando achavam que eu era um jovem calado, demasiadamente introspectivo, pediram-me para ser sincero, completamente aberto. E quando fui, pediram para ser menos, aplicar uns filtros. E então? Afinal em que pé dançamos? Ahhh, lembrei-me! É difícil ser coerente. Mas não deveria ser difícil tentar, pelo menos. Como em muitas coisas da vida, a “verdade” há de estar algures nesse meio-termo, não é? Mas eu tenho dificuldades com meios-termos. Quem me conhece já o sabe. Porque o meio-termo exige pensamento/reflexão antes de qualquer ação. Isso tem impacto no dinamismo das relações, das conversas, das interações, das trocas de ideias... Sem contar que é cansativo. Pelo menos para mim. Ter que pensar um pouco mais do que já penso, antes de verbalizar/agir/escrever/sinalizar? Mas não estou isento da ...

Dependências...

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Eu tenho uma noção muito boa das minhas intolerâncias... acho... E tenho pensado nas dependências, todo o tipo de dependências – coisas, dispositivos, religiões, pessoas, substâncias... Com uma pesquisa profunda (I googled it), encontrei isto: Dependência é o essência da ocorrência de abusos. – o cão, a criança, a mulher maltratada, os deficientes e os enfermos.” O que causa dependência? A incapacidade para cumprir as necessidades de alguém de forma independente. Estudo de caso: cão de estimação Domesticado, nascido e criado longe do ambiente natural (falsa dependência) Comprado e levado para a casa nova (propriedade) Inicialmente a cargo (condicional) Incapacidade, devido ao ambiente para satisfazer suas necessidades físicas - não consegue ter acesso a um ambiente sustentável, provido de alimentos, da água e calor. Ou seja, a dependência está diretamente ligada ao abuso. Mais ainda, o abuso é uma consequência direta da dependência. Talvez seja por isso que eu sou intolerante, não sei....

Memórias da chuva...(1)

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Desde que a memória me consegue levar, sempre adorei a chuva. Não existe cheiro mais apaziguador e inebriante que aquele que antecipa a chuva. Em todos os países por onde passei tenho uma lembrança boa associada à chuva. Em Bissau lembro-me do quanto antecipávamos a chuva. Nós crianças, adorávamos tomar banho de chuva. Era a melhor coisa do mundo. Os rapazes jogavam futebol no meio das ruas desertadas pelos carros, as meninas corriam embaixo das goteiras que deixavam cair enormes quantidades de água. Tanto que ás vezes doía. Lembro-me de uma vez que eu estava a voltar para casa de um futebol perto de casa, devia ter os meus 11 anos. Eram por volta das 4 da tarde e de repente ficou tudo escuro. Nunca tinha visto algo igual. Em casa estava só a minha avó e não havia eletricidade – fato normal em Bissau e muitos outros países africanos – e eu queria ir para rua tomar banho quando a chuva caísse. Era estranho porque o céu estava cinza escuro e não havia vento. Minha avó ficou com medo e nã...

A história é escrita pelos vencedores!

Acabei de ver um filme chamado Green Zone , do Paul Greengrass, que mostra naquela maneira norteamericana de fazer "singela-para-imbecil-entender" como o pretexto da armas de destruição massiva não era mais que isso, um pretexto para o ocidente colocar (ainda mais) pé no médio oriente. Um filme de ação como milhares, cheio de boas intenções, explosões, discursos moralistas, paz nomundo e efeitos especiais. Se quiserem ver aluguem, ou melhor ainda, baixem ilegalmente que é para ver se para de fazer filmes idiotas. Mas o filme fez-me pensar em como eu nunca tinha visto até agora um blockbuster sobre o mesmo assunto mas filmdo do ponto de vista Iraquiano. Da mesma forma, nunca vi um filme sobre a guerra do Vietnam filmado do ponto de vista vietnamita, sobre guerra da Argélia sob o prisma argelino, etc, etc, já perceberam onde quero chegar. Já dizia isso George "Big Brother is watching you" Orwell, há umas décadas atrás. E dei-me conta que não é bem assim. Nem sempre a ...

O medo

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Há alguns anos eu falo deste assunto com as pessoas mais próximas, da (minha) necessidade de exorcizar o medo, seja como for e seja ele qual for... O mundo que nos cerca é regido pelo medo nas suas formas mais sorrateiras. Infelizmente, isso começa muito cedo em nossas vidas, tão logo começamos a perceber o mundo que nos rodeia, assim que perdemos um pouco da nossa “virgindade". Quando criança, ainda inconscientes dos pseudo-perigos que nos rodeiam, o mundo tem definitivamente uma cor diferente. Pouco a pouco, à medida que o que eu associo com medo começa a se tornar parte da nossa vida, tudo muda. Tentei me lembrar da primeira vez que fui confrontado com o medo e é impressionante como isso aconteceu cedo. O medo dos nossos pais, a nossa salvação, as pessoas mais importantes em nossas vidas. Como é esse medo? É o medo de quebrar os brinquedos, de não comer tudo o que nos foi servido, de rasgar os livros, de destruir o aparelho de som do pai, de cometer erros, de sermos nós mesmos,...

Domingo, 10h da manhã...

...e já uma cerveja na mão! Explico: Ontem voltei um pouco mais cedo do meu jogo de tênis matinal. Ao subir para casa passei frente ao café/restaurante no térreo do meu prédio e vi que já lá estava um cliente com uma cerveja fresca na mesa. O restaurante nem tinha aberto completamente e o "habituado" já lá marcava presença. Fico sempre impressionado com esse nível de dependência. Sim, talvez seja um julgamento meu um pouco rápido mas não vejo outra razão senão dependência. É como o fumador cujo primeiro gesto quando acorda é acender um cigarro. E qualquer uma dessas pessoas vai sempre dizer que "para quando quer", sem se dar minima conta que a substancia da qual ela depende também já fala por ela. A idéia de que eu preciso de qualquer muleta/prótese para poder encarar o dia me assusta a um ponto que não imaginam. É para mim a prova de uma pessoa sem controle sobre o seu corpo (e a mente faz parte do corpo, não...). E isso sem entrar na duvida do que será a realidade...