Não me tinha dado conta que a última vez que escrevi aqui, foi quando meu pai faleceu. Ainda não passou, sensação de ainda não estar em paz com isso. É estranho. E agora vou escrever sobre uma loucura que começa hoje: vou fazer o Caminho de Santiago de Compostela a pé. Fim de abril encerrei um ciclo profissional de 17 anos e decidi aproveitar para realizar este desejo de muitas décadas. A nossa mente tem esse poder especial de concatenar dados e fazê-los ter sentido dentro de uma tese, não é? Então todos os "sinais" me disseram, durante as últimas semanas, que o momento era agora. E segui cegamente, quiçá irracionalmente, esse ímpeto. A minha Flor, que já fez esse périplo inteiro de bike, não quis tentar fazer a pé, que é a forma que eu sempre disse que queria fazer. Cada um no seu tempo. Talvez façamos juntos um dia, este ou outro "caminho". Juntos. Levo 9 kilos de "coisas". Por enquanto está tudo nesse saco de roupa suja azul. Estou no aerop...
A Salceda - Santiago de Compostela: 29,5 km Este vai ser o último texto desta série. Daqui para casa, vai ser algo só meu, pode ser? Mas antes de descrever a última etapa, muito, muito, muito obrigado a cada par de olhos que acompanhou a jornada aqui. Fiquei surpreso destes relatos chegarem a pessoas que eu não imaginava e, melhor ainda, saber que essas pessoas estavam torcendo por mim, por seja lá o que for que eu procurei no Caminho. Sei que nem todos se manifestaram, mas saibam que também têm a minha torcida. De verdade. Gosto muito daquela frase "fácil" que diz "feliz primeiro dia do resto da sua vida!". Então que seja um feliz primeiro dia do resto das nossas vidas! Achou isso lamecha? Então pare aqui, porque vai piorar e muito! 😀 Assim começou o dia: chuva. E assim correu o dia, durante várias horas. Umas 5, para ser exato. Isso comprometeu muito as fotos, mas aqui estão umas poucas. Tudo encharcado, o tempo inteiro. E a capa de chuva, embora proteja da chuva...
É. Fui a Nova Iorque. Um sonho de várias décadas se realizou da forma mais estranha do mundo. Não foi a viagem que eu sonhei, nem com fui com quem eu sonhava ir. Mas uma pequena frase me ficou na boca e na mente depois destes 2 dias e meio. Uma frase, um conceito, uma epifânia, com todo o seu peso: encontrei a minha casa! Durante todos estes anos eu sonhei em vir conhecer esta cidade. Não era o sonho americano. Era – e é – o sonho Novaiorquino. E encontrei quase tudo o que sonhava e muito mais.A cidade tem pessoas de toda a parte do mundo. Em 40 minutos de trajeto entre Brooklyn e a 14th street, ouvi 33 linguas/dialetos diferentes. Sim, perguntei a cada vez. E o mais fabuloso é que o inglês estava de par a par com algumas outras línguas, entre as quais o português. Eu já conhecia Washington e o interior da pensilvânia, mas isto é outra coisa. A cidade tem comidas, roupa, atrações, filmes, musica, religiões, cores, cheiros, palavrões e insultos, sorrisos, etc, de toda a parte d...
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